RESENHA: MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS, MACHADO DE ASSIS

Aproveitando a campanha do DESAFIO NACIONAL, tive a ideia de criar o TOP 100 DOS LIVROS NACIONAIS. Estarei publicando à partir de hoje (um livro por semana) os 100 livros essenciais da Literatura Brasileira, segundo a conceituada revista Bravo!.
Quero com estas postagens fazer com que, você, meu leitor, tenha acesso a “nata” da nossa literatura e passe a ler, comprar e prestigiar mais os nossos autores.
Começaremos a nossa série com Memórias Póstumas de Brás Cubas, do gênio Machado de Assis, considerado pela crítica, como o melhor livro brasileiro de todos os tempos.
Vamos a ele!

O romance Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) foi o texto que inaugurou o padrão moderno nas letras nacionais. Bebendo nas àguas tanto do realismo quanto do romantismo, com influência de prosadores ingleses e franceses do século 18, mas, sobretudo, escrevendo com grande independência e originalidade, Machado de Assis criou com este livro a ponte que uniu o passado ao futuro na nossa literatura.

A razão para esse salto qualitativo deve ser buscada nas inovações formais deste romance, o primeiro da chamada fase realista de sua obra. A história é simples, até corriqueira. Brás Cubas, legítimo representante da nossa oligarquia patriarcal, vive sua vida e morte. Na condição privilegiada de autor-defunto ou de defunto-autor, decide escrever suas memórias. Nosso herói corteja uma jovem humilde; é designado pelo pai a uma moça rica, que, porém, se casa com outro e depois cai nos braços de Brás; torna-se deputado, mas não consegue virar ministro. Também faz amizade com um antigo companheiro de colégio, Quincas Borba, que inventa uma teria pseudofilosófica chamada humanitismo, arremedo das teorias cientificistas em moda na época. Brás sonha lançar no mercado um emplastro milagroso, um suposto tônico anti-hipocondríaco que lhe traria fama, mas morre antes de concretizar essa meta.
O enredo, portanto, não gera maior interesse. O que está em jogo é a maneira como a narrativa é alinhavada, num ágil ir e vir típico do movimento da memória, em que os fatos vêm intercalados por comentários, alusões e citações; tudo isso embalado por uma nuvem de humor melancólico. É nessa forma, incomum para a época, que precisamos buscar as chaves para a interpretação do romance. Como nas narrativas modernas, o que interessa não está exatamente na história, mas no que se encontra por baixo, no subentendido, nas camadas ocultas de significado. Os críticos atuais de Machado de Assis gostam de chamar esse exame em profundidade de “leitura a contrapelo ou ao arrepio”. Ao pé da letra, significa que vamos andar pelo caminho contrário, ou seja, que devemos passar o pente de nossa apreciação no sentido oposto ao significado literal.

E o que encontramos? Descobrimos um narrador caprichoso, de quem devemos desconfiar. Com a liberdade que lhe outorga seu estado de autor póstumo, Brás Cubas manipula os fatos num anarquismo apenas aparente: quando lemos o livro com atenção, percebemos como essa volubilidade trai seu compromisso com a classe dominante, a que se filia. Brás quer crer-se sensato em sua visão irônica e pessimista da vida. No fundo, sem querer e sem saber, deixa-nos deslumbrar sua condição de representante de uma burguesia leviana, que, desperdiça sua existência em diversões fúteis e ambições mesquinhas, procura justificar-se diante de um hipotético leitor. isso, é claro, não está em evidência. Uma das supremas originalidades do romance, que equipara Machado, por isso, aos grandes romancistas de sua época, reside no fato de haver um sentido escondido, que precisa ser descoberto pelo leitor no espaço que se abre entre o que descreve o narrador e o que o autor permite entrever a respeito do estado de coisas descrito.

A crítica velada mas ferros que Machado faz à burguesia desautoriza a crítica de muitos de seus contemporâneos (e uns poucos atuais), que atacavam a relutância do escritor em abordar mais abertamente as questões sociais, como a escravidão. O crítico sergipano Sílvio Romero chegou  a chamá-lo de “capacho de todos os governantes”. Por outro lado, a fama de autor elegante e irônico angariou admiradores mesmo entre os que não se interessavam em ir mais fundo na interpretação de suas histórias.

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em junho de 1839. Filho de família humilde, foi criado pela madrasta, com a morte prematura dos pais. Ela era negra, assim como seu pai, mulato “livre”. Por meio de seu talento e perseverança foi ascendendo na carreira, primeiro nos jornais, depois em cargos públicos. Fundou e presidiu a Academia Brasileira de Letras. nunca saiu do Rio de Janeiro. Morto em 1908, foi sepultado com honras civis e militares, homenagem então inédita a um homem das letras.

E você, já leu este que é considerado o maior livro da nossa literatura.

Crítica retirada da Revista Bravo! edição especial Bravo! 100 livros Essenciais da Literatura Brasileira.

Um abraço e boas leitura a todos!!!

 

Wellington Ferreira, é um vendedor de livros extremamente apaixonado pelo que faz. Não consegue se imaginar mais vivendo longe deles. Além disso, é blogueiro nas horas vagas e corinthiano fanático (e dos loucos) em período integral. Atualmente trabalha como consultor de vendas em uma distribuidora de livros e presta assessoria de mídias sociais para empresas. Interessados, é só entrar em contato.

6 comentários

  1. Certamente, um excelente livro, e apesar de fazer muito tempo que o li, ainda consigo lembrar de muitas passagens desse belíssimo livro. Abraços. Roniel.

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  2. Realmente um excelente livro.

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  3. Olá Amigos!

    Obrigado Cintya, Roniel e DiniSil pela visita. Este espaço é de você voltem sempre que quiserem.

    Abraços!!!

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  4. Eu tenho esse livro, comprei mas ainda nao tive tempo de ler! Espero começar a ler ainda esse mês, Machado é o cara depois que eu li Dom Casmurro, corri pra comprar esse!

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  5. Adoro esse livro,machado de Assis é maravilhoso.

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